Friday, 29 October 2010

Happy Halloween

Black Widow
imikimi - sharing creativity

Tuesday, 19 October 2010

Monday, 18 October 2010

Justo é o CARALHO.

 Desculpem, a linguagem não é a minha mas que apetece, apetece! Revejo-me no essencial desta revolta.

Parece que o Primeiro-ministro terá dito que desta vez os sacrifícios



serão distribuídos de forma mais justa. Justa é o CARALHO!!!!






São 23 horas, cheguei agora a casa e trabalhei hoje doze horas. O meu


filho já esta a dormir. Este ano já paguei em impostos e multas


dezenas de milhares de euros, todos os meses pago um balúrdio de TSU,


tenho custos financeiros indescritíveis por causa da forma como é


cobrado o IVA, pago o PEC sobre um rendimento que pode não acontecer e


este filho da puta vem-me dizer que os sacrifícios serão distribuídos


de forma mais justa???


O CARALHO!!!!!






Tenho semanas durante o ano em que trabalho 20 horas por dia, este fim


de semana não sabia sequer que dia era, no dia da greve de uma chusma


de paneleiros andei na estrada a pagar portagens e a trabalhar para


poder pagar impostos, comecei numa puta duma garagem sozinho e dei


trabalho a uma carrada de gente a quem pago o IRS, a Segurança Social,


Seguros de Trabalho e todas as taxas que o estado me exige, não


negoceio salários brutos, por isso que vão para o CARALHO com as


contribuições dos trabalhadores, pago salários decentes e recuso-me a


pagar o salário mínimo seja quem for, investi e perdi, arranjei-me,


voltei a investir e falhei de novo, recuperei e investi de novo e


consegui.






E estes paneleiros do CARALHO vêm agora dizer-me que os sacrifícios


são distribuídos de forma justa???


O Guterres fodeu o pais todo com o


rendimento mínimo garantido, a pior opção económica de sempre, nem


sabem sequer o que é não dormir, desesperar, cair e levantar sem pedir


um tostão que seja ao filho da puta do Estado?!






Nem subsidio de desemprego nem o CARALHO?! E tenho que ouvir todos os


dias as queixinhas dos funcionários, dos professores com horário zero


(!), dos funcionários dos correios, dos anacletos e afins, que fujo ao


fisco,que exploro os trabalhadores, que tenho que pagar mais impostos,


que sou um parasita?!






Já paguei todos os impostos de facturas que até agora não consegui


cobrar (IVA e IRC), paguei IRC sobre stocks que não sei se algum dia


conseguirei vender e os sacrifícios são distribuídos de forma justa?!






Justo é o CARALHO.






Os 2000 funcionários da CM de Portimão trabalham das 9h às 15h com


intervalo para almoço e de caminho a mesma CM gasta o nosso dinheiro


em foguetes, almoços, festivais de aviões e de motas de água. etc e


depois entrega e paga serviços a empresas privadas;






Decidiram mudar a escada da parte velha, fecharam-na, derrubaram a


antiga e colocaram a estrutura em metal, e após quinze dias retiraram


a mesma estrutura e colocaram-na em madeira! E ainda queriam fazer um


elevador até à praia!!! E eu pago. Num qualquer Instituto mais de 50


chulos tratam de 9(!) putos. E eu pago.






Substituem administradores pagando indemnizações, contratam o Fernando


Gomes e o Nuno Cardoso(!!!!). E eu pago. Inventam Institutos e


Fundações. E eu pago. Inventam as SCUTS. E eu pago. O PEC. E eu pago.






O Presidente apela ao patriotismo. E eu pago.






Sr. Presidente, com todo o respeito que me merece:






Vá-se foder!, você e os camaradas no avião fretado para irem passear


para a China.






A CM de Paredes de Coura faz Parques de estacionamento sem trânsito. E eu pago.






O anacleto Sá Fernandes rebenta com o CARALHO do orçamento da CM de


Lisboa. E eu pago.






O Sócrates vai à borla de avião Falcon da Força Aérea. E eu pago.






Sacrifícios???!! De quem, CARALHO?! Prestam-me um serviço de merda na


saúde, a educação é tão miserável que sou obrigado a por o meu puto


num colégio privado, nem me atrevo a cobrar dividas em Tribunal devido


à miséria que é a Justiça.






E pago.






Preciso de uma puta de uma cirurgia e tenho dezasseis mil pessoas em


lista de espera, pelo que se não tivesse um seguro de saúde estaria


como milhares de desgraçados que se calhar já morreram. E eu e eles


pagamos.






Os sacrifícios são distribuídos de forma justa?






Como, CARALHO?!






E aquela esfinge paneleira de óculos que preside ao Banco de Portugal,


que ganha mais que o secretário do tesouro dos E.U.A., está à espera


de colectar mais 0,03% do PIB com o aumento do IVA? Pois tenho uma


pequenina novidade para o reconhecido génio.






Talhos, advogados, lares, lojas de moveis e outros pequenos negócios


que conheço já têm a contabilidade e pagam impostos em Espanha e eu,


assim seja possível, no ano da graça de 2010 pagarei todo o IVA, IRC e


contribuições em Vigo.






A chulice destes filhos da puta que vá cobrar ao CARALHO!!!






E quero que se foda a solidariedade e a conversa de merda porque não


me sai do corpo para o dar a chulos. Por alma de quem? Mais Justo??!!


E mais, passo a meter gasolina, gasóleo e gás em Espanha.






Pois é meus amigos, Justo é o CARALHO QUE OS FODA!!!!!!!!!!!






Mais ao Vara e aos sucateiros que nos fodem a nós.






Só nos faltava este filho da puta para completar o baralho dos gate:


Diplomagate; universidadegate casasgate, CovadaBeiragate,


relatóriogate, sobreirogate, freeportgate, etc, etc, mais este


Varagate...






Realmente é demais.....Tudo Pró CARALHO






Um abraço de um Português fodido e refodido como o Caralho.

Friday, 15 October 2010

Wednesday, 13 October 2010

Sunday, 10 October 2010

Saturday, 9 October 2010

Imagine

Familias de acolhimento para crianças: preciso que cuides de mim.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa inicia agora uma campanha de divulgação sobre as Famílias de acolhimento de crianças.


Gostaríamos muito que divulgassem esta informação através das vossas bases de dados.

Muito obrigada
 
http://www.scml.pt/acolhimentofamiliardecriancas/

Friday, 8 October 2010

Fim da atribuição, antes dos 65 anos, das pensões de reforma aos detentores de cargos públicos e políticos, bem como da sua acumulação

Caros Amigos,




Acabei de ler e assinar a petição online: «Fim da atribuição, antes dos 65 anos, das pensões de reforma aos detentores de cargos públicos e políticos, bem como da sua acumulação»

http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2010N3117

Eu pessoalmente concordo com esta petição e acho que também podes concordar.

É hora de acabar com os roubos que os políticos fazem ao Povo.

Vamos todos assinar esta petição e participar no processo democrático para que este funcione.


Devemos participar e não apenas lamentarmo-nos sem mexer uma palha!

Monday, 4 October 2010

Miguel Sousa Tavares - A CRONICA DA REALIDADE

Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:


- É sempre assim, esta auto-estrada?

- Assim, como?

- Deserta, magnífica, sem trânsito?

- É, é sempre assim.

- Todos os dias?

- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.

- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?

- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.

- E têm mais auto-estradas destas?

- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.

- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?

- Porque assim não pagam portagem.

- E porque são quase todos espanhóis?

- Vêm trazer-nos comida.

- Mas vocês não têm agricultura?

- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.

- Mas para os espanhóis é?

- Pelos vistos...

Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:

- Mas porque não investem antes no comboio?

- Investimos, mas não resultou.

- Não resultou, como?

- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.

- Mas porquê?

- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.

- E gastaram nisso uma fortuna?

- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...

- Estás a brincar comigo!

- Não, estou a falar a sério!

- E o que fizeram a esses incompetentes?

- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.

- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?

- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.

Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.

- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?

- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.

- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?

- Isso mesmo.

- E como entra em Lisboa?

- Por uma nova ponte que vão fazer.

- Uma ponte ferroviária?

- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.

- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!

- Pois é.

- E, então?

- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.

Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.

- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...

- Não, não vai ter.

- Não vai? Então, vai ser uma ruína!

- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.

- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?

- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!

- E vocês não despedem o Governo?

- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...

- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?

- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.

- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?

- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.

- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?

- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.

Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:

- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?

- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.

- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?

- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.

- Não me pareceu nada...

- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.

- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?

- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.

- E tu acreditas nisso?

- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?

- Um lago enorme! Extraordinário!

- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.

- Ena! Deve produzir energia para meio país!

- Praticamente zero.

- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!

- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.

- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?

- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.

- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?

- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.

Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:

- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?

- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.

Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:

- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!

Sunday, 3 October 2010

Carta Aberta aos Portugueses e ao Dr. Moita Flores sobre a sua petição "Em defesa da festa brava"

ESTOU A REENCAMINHAR


Para ler, reter, meditar, repassar, assinar.

"Chamo-me Paulo Borges. Sou professor na Universidade de Lisboa e escritor. Dirijo a revista Cultura ENTRE Culturas. Tenho dois filhos. Sou o primeiro signatário da Petição “Pela abolição das touradas e de todos os espectáculos com touros”, que circula na net e em versão impressa. A petição, lançada pelo Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN), serviu de base à constituição da plataforma “Basta de Touradas”, que conta já com a adesão de 24 associações e entidades de defesa dos animais e com vários apoios de figuras públicas, nacionais e internacionais.



O Dr. Moita Flores, figura pública e actual presidente da Câmara de Santarém, lançou uma petição contra a nossa, redigida em termos que considero deveras preocupantes, vindos de uma pessoa com a sua responsabilidade cultural, cívica, social e política. Sei que se sente ameaçado pelo movimento de defesa dos animais, mas isso não justifica tudo.



No texto da sua petição chama hipócritas, histéricos, angustiados, “talibãs” e “horda de analfabetos” a todos os que são contra as touradas. Diz que chegou à idade “onde já não há paciência para ser insultado”, quando ninguém o insultou. Pelos vistos chegou à idade onde só tem paciência para insultar os seus concidadãos. Para insultar os milhões de portugueses que, por serem contra o sofrimento dos animais e contra a degradação dos homens que se divertem com isso, são considerados psicopatas, terroristas e incultos.



Fui amigo do Professor Agostinho da Silva, sou editor das suas obras e presido à Associação com o seu nome. Aprendi com ele e com muitos outros – desde São Francisco de Assis, Leonardo da Vinci e Antero de Quental a Gandhi, Peter Singer e ao XIV Dalai Lama - a defender a causa do bem de homens e animais e recordo que Agostinho da Silva dizia haver dois tipos de “analfabetos”: os que não sabem ler e os que sabem, mas não conseguem entender o que lêem. Creio que o Dr. Moita Flores se arrisca a ser suspeito de um terceiro caso, ainda mais grave: não conseguir sequer entender o que escreve. Pergunto-lhe quem dos opositores às touradas comete atentados bombistas ou pretende impor as suas ideias pelo terror e pela violência. Pergunto-lhe porque é que ser contra o sofrimento de touros e cavalos e contra a degradação dos homens que com isso se divertem é ser “analfabeto”. Sou autor de 22 livros (de poesia, ensaio, ficção e teatro) e sou professor na Universidade de Lisboa há 22 anos: os portugueses ficam a saber, pela superior inteligência do Dr. Moita Flores, que a dita Universidade contratou um “talibã” e um “analfabeto” que anda a converter ao terrorismo e à incultura os milhares de alunos que o têm tido como professor. E eu, que tive a felicidade de crescer numa família onde se desligava a televisão mal começava a dar uma tourada, fico a saber que os meus avós, o meu pai, a minha mãe, a minha irmã, o meu cunhado, a minha mulher, os meus filhos e amigos, eram e são todos "talibãs" e "analfabetos".



Não gosto de falar de mim, mas tenho de o fazer pela causa que defendo e porque isto é gravíssimo, vindo de um criminologista, de uma figura pública e de um supremo responsável político camarário. O Dr. Moita Flores insulta desavergonhadamente a maioria da população portuguesa que, como o indica um estudo recente (2007) do ISCTE, é contra as touradas. Segundo a brilhante dedução deste senhor, Portugal tem assim, a par da crise económica, mais um problema grave: a maioria da sua população é composta de desequilibrados mentais, “talibãs” e “analfabetos”.



A solução para este estado de coisas seria, segundo fica implícito no espírito da sua petição, irmos todos curar-nos, reabilitar-nos e cultivar-nos, com as nossas famílias, filhos e netos, para essas vanguardas da alta cultura que são as praças de touros, onde se descobre o sentido da vida e da existência, e se aprende a amar os animais e a natureza, aplaudindo num êxtase de alegria o espectáculo da dor e do sangue. Desprezemos as artes, as letras e as ciências, deixemos as escolas, abandonemos as universidades, onde segundo Moita Flores ensinam “talibãs” e “analfabetos”, e vamos todos atingir a maioridade cívica, mental e cultural a gritar “Olé!” nas touradas.



Agora sem ironia: o seu texto, Dr. Moita Flores, de uma retórica literária completamente desprovida de coerência racional e apenas cheia de arrogância e insultos a quem não pensa como o senhor, confrange pela desonestidade e/ou confusão mental de que dá mostras. Pois não sabe o senhor que os defensores dos animais são contra todas as formas do seu sofrimento, incluindo essas que refere, e não apenas contra as touradas? Diz que se converteu ao franciscanismo e que São Francisco de Assis lhe ensinou o “caminho ético e moral” para educar os seus filhos e eu pergunto: já alguma vez leu as biografias de São Francisco, onde por exemplo se diz que “Chamava irmãos a todos os animais […]” (Tomás de Celano, Vida Segunda, CXXIV, 165) e se compadecia perante os sofrimentos que os homens lhes infligiam? E porque é que o “touro bravo” é uma “fera negra, símbolo da morte e do medo”? Não serão antes o toureiro e todos os aficionados que aplaudem o espectáculo da dor que são temíveis e negros símbolos – embora muitas vezes inconscientes - do pior que a humanidade traz em si? Fala do ritual trágico onde “vence a vida ou vence a morte” e eu pergunto se a evolução dos costumes não nos oferece outras formas, mais nobres, de fazer a catarse das paixões e vencer o medo, sem fazer sofrer ninguém? Não há hoje formas superiores de heroísmo, como dedicar-se às grandes causas de defesa dos homens, dos animais e da natureza? Não é isso mais benéfico, útil e urgente do que a religião cruel das touradas, anacrónica persistência dos arcaicos sacrifícios sangrentos? E não é uma grosseira mistificação identificar os opositores das touradas com a cultura urbana, quando há quem deteste touradas em todos os pontos do país, incluindo no Ribatejo e no Alentejo? Para já não falar da sua patusca ideia de que nós defendemos a “ditadura do ‘hamburger' urbano” (!?...) e de que é pelas touradas que se defendem os “Direitos do Homem”, dos animais e da “Terra”… Sinceramente, Dr. Moita Flores, o que há de lógico e sério nisto? Defendem-se os animais criando-os para os torturar? O touro bravo tem de ser torturado numa arena para continuar a existir e com ele os montados? Fala por fim da identidade nacional, da preservação da memória histórica de Portugal: triste identidade e triste país que depende de manter tradições eticamente inadmissíveis para subsistir! Pois eu digo-lhe: Portugal será muito mais motivo de orgulho para os portugueses, e muito mais respeitado internacionalmente, quando, após ser pioneiro na abolição da pena de morte, abolir as touradas e todas as formas de sofrimento animal. Portugal não desaparecerá, mas será um outro Portugal, que manterá na sua riquíssima tradição e cultura tudo o que for ético, relegando para os museus do passado a não repetir tudo o que hoje nos envergonha, como autos-de-fé, esclavagismo, perseguições político-religiosas e touradas.



Esta carta dirige-se a si, mas sobretudo a todos os Portugueses. Leiam-se as duas petições, o espírito, a argumentação e os objectivos de uma e outra, e vejamos o que queremos de melhor para o país, para nós e para as futuras gerações: aplaudir como cultura a tortura dos animais para divertimento dos homens, com prejuízo da sua humanidade e sensibilidade ética, ou dar um passo corajoso para abolir esta e todas as formas de fazer sofrer os animais, nossos companheiros na aventura da existência, em prol do seu bem e da nossa evolução pessoal e colectiva.



E vejamos quem queremos ter como representantes. É muito grave que num Estado de direito as forças policiais não sejam capazes de ou não queiram fazer cumprir a lei, como no recente caso da morte do touro em Monsaraz. Como é muito grave que uma figura como o Dr. Moita Flores desrespeite e insulte impunemente os seus concidadãos que, por imperativo de consciência, não pensam como ele. Está na hora de dizer “Basta!”: às touradas, a todas as formas de infligir sofrimento a homens e animais e a uma geração de políticos que coloca os seus duvidosos gostos pessoais, bem como os interesses de grupos minoritários, acima da sensibilidade maioritária da população. Está na hora de surgir uma nova geração, com um novo paradigma, que traga a ética para a política e assuma numa mesma bandeira a defesa dos homens, dos animais e da natureza.



Está na Hora! Basta!



Vamos assinar em massa:

http://peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=010BASTA



Paulo Borges

Lisboa, 21 de Setembro de 2010 "

Friday, 1 October 2010

Cãominhada dia 10 de Outubro

Venham participar!!

Campanha STOP

Para usar de 4 de Outubro a 31 de Dezembro

Contra os Abusos, a Negligência e o Abandono dos Animais

Por uma Lei Moderna, Justa que dê um Estatuto aos Animais e respeite a Declaração Universal dos Animais